Sexta-feira, 23 de Setembro de 2005

Benedita Pereira

 

Quando era miúda, fazia com a família passeios pela Europa: Espanha, França, Itália, Suíça e também Estados Unidos e Brasil. O Rio da Janeiro é «a sua cidade». «A violência é que é uma chatice, mas no outro dia também houve tiroteio à porta da minha casa...»
A sua casa é agora em Lisboa, junto ao rio. Mudou-se para ser a Joana da série «Morangos com Açúcar» em Junho de 2003. Que foi quando toda esta aventura começou.

 

 


 

A aventura fez dela uma das actrizes mais famosas junto do grande público, em especial o mais jovem. Também na TVI, é possível vê-la neste momento na telenovela «Ninguém como Tu». Nasceu no Porto, filha de um engenheiro civil que a pôs no teatro, e de uma senhora que agora está reformada e que se preocupou em fazer dela uma criatura delicada e feminina. Benedita Pereira adora a vida que tem.

 

 – Tem consciência de ser famosa? O que é que faz as pessoas famosas? O talento, a beleza, o carisma...

Benedita Pereira – Foi um mero acaso. Entrei numa série («Morangos com Açúcar») que teve um sucesso enorme — um sucesso de que ninguém estava à espera... Uma série inovadora, os protagonistas eram miúdos de dezoito anos, dezassete. Os intervenientes também tiveram sucesso ou ficaram famosos. Os meus amigos é que dizem: «Ai, estão sempre a olhar para ti»; mas eu sou um bocado cabeça no ar em tudo, e estou sempre no meu mundo.

 – Recebe muitas cartas de fãs. O que é que dizem?

BP – Não sei se é por ser nova, se por ter algum tipo de carisma, (que não sei qual é), gostam de mim. E exageram: dizem que sou a melhor actriz do Mundo! E dizem: «Gostava de ser actriz, gostava de ser como tu, gostava que fosses a minha irmã mais velha, não queres ser minha amiga?, liga-me!» E eu fico assim um bocado... Quem sou eu?

 – Os jovens, sobretudo as raparigas, imitam o seu comportamento, a sua maneira de vestir e de estar.

BP – Sim. Tenho uma loja no Porto com a minha mãe e a minha irmã, e vão muitas raparigas lá pedir as coisas que eu tenho, para terem a mesma roupa que eu. Não quero dar um mau exemplo. Uma vez fui a um programa antitabaco dizer que não era fumadora e porquê.

 

 – E a sua família, como é que reage ao seu sucesso? Como é que lidam consigo?

BP– Os meus pais e a minha irmã..., até fico envergonhada!, porque começam a entusiasmar-se. «A minha filha isto», «A minha irmã aquilo»! O meu pai é que me pôs no teatro com oito anos. Foi um sonho que ele nunca concretizou. Fomos à única escola de teatro para crianças e jovens lá no Porto. Eu não sabia o que era, sabia lá o que era ir para o teatro! Mas, a partir daí, sempre quis ser actriz.

– Então, foi educada para ser actriz?

BP – Sim, fui educada para ser actriz, para seguir o meu sonho. Era uma coisa em que sentia imenso orgulho: eu sabia o que queria. Os miúdos umas vezes querem ser veterinários, outras vezes professores. «O que é que queres ser?», e eu, desde pequenina: «Actriz.» Hoje em dia, as miúdas todas querem ser actrizes para ser famosas, para aparecer na televisão, para ser iguais ao Pipo e à Joana (par central dos «Morangos»; Benedita interpretava «Joana»).

 – Esse sonho infantil de ser actriz traduzia-se em quê? Que vida imaginava que ia ter?

BP – Imaginava o teatro, porque estava numa escola de teatro, e não uma novela. E era Lisboa, eu sabia que não podia ficar lá. Era um bocado aquela aventura... Sempre adorei a vida dos camarins. «E se fosse isto a minha vida toda?» Aquele ambiente, aquela correria, aquela tensão que ao mesmo tempo é tão boa. Aquele nervoso que depois se transforma numa peça toda. Aquele medo de falhar. E todos os preparativos... Para mim, é o melhor.

 – E a ideia de que os artistas são sempre muito criativos, muito extravagantes?

BP – Também é por aí. A minha mãe dizia-me sempre: «És muito teatreira.» Sempre fui de falar muito, de gritar muito, de cantar muito. Eu enchia a casa. Quando me vim embora, a minha mãe sofreu muito. Por um lado, era um descanso para os ouvidos, por outro, parecia que não tinha ninguém. O meu pai sempre adorou e puxava imenso por mim. «Faz isto, faz aquilo» - para provocar a minha mãe. Fazia imensas coisas, dizia palavrões... Acho que sou mesmo aquilo que ele podia ter sido.

 – Cresceu a admirar a beleza da mãe, aquela classe e distinção que as mães têm e as meninas querem ter?

BP – Desde pequenina que queria ser como a minha mãe, que é muito bonita, toda bem-feitinha, magrinha, veste o mesmo tipo de roupa que eu. Eu não era maria-rapaz, mas era bruta (e sou) no modo de dizer as coisas, não era muito feminina; e a minha mãe puxava sempre: «Não digas isso, não faças assim.» Eu gozava, começava a imitar o mecânico da esquina ou a falar à Porto, mas no outro dia fui-lhe agradecer.

 – Esta aventura começou há exactamente dois anos. Quando foi fazer o casting para os «Morangos com Açúcar», pensou que esta podia ser a sua grande oportunidade?

BP – Eu não sabia para o que é que ia. Ninguém nos diz nada. Dão-nos um papel e depois logo se vê. Já tinha feito outros castings, para mim era mais um. Nem sabia que era para protagonista. E a esses castings vai tanta gente... Não estou à espera de que me digam, mesmo um não...

 – Mas foi uma mudança extraordinária na vida de uma rapariga muito, muito jovem no espaço de meia dúzia de meses. Portanto, mudou-se para Lisboa e foi viver sozinha.

BP – A minha mãe ficou comigo durante um mês, mas depois não podia, tinha outra vida. Mas, sim, foi uma grande mudança. Fez-me crescer assim... Eu olho para trás, para o que era há dois anos, e vejo uma grande diferença. Os meus pais sempre me incutiram a noção da responsabilidade. Fazia sempre tudo sozinha. Tinha um teste, um trabalho de moda, o instituto, isto ou aquilo, precisava da minha mãe para a boleia, mas tinha tudo organizado e nada falhava.

 – Mas não se permite falhar... É muito orgulhosa, não é?

BP – Sou!!

 – Aquela coisa de não querer que digam: «Demos-te responsabilidade e tu falhaste.»

BP – Não queria mesmo dar-lhes motivos para me chamarem a atenção, queria mesmo fazer as coisas por mim própria. Ajudou-me imenso: de repente, vim para aqui e já estava habituada a gerir o meu tempo, as minhas coisas. Estar sozinha mesmo..., aí é que comecei a aprender a conhecer-me, a ver como é que funcionava.

 – E então, como é que funciona?

BP – Sou super preguiçosa, super desorganizada. Com as roupas, a casa, os textos, tudo. Perco muito tempo a procurar isto, aquilo, eu sei, mas gosto de viver assim. Adoro aqueles momentos em que não estou a fazer nada e estou sozinha; e às vezes sinto uma necessidade enorme de estar com os meus amigos, de explodir um bocadinho. Sou também um bocadinho egoísta e independente.

 – Tem medo de falhar?

BP – Tenho sempre. Em tudo. Mas acho que é isso que me faz lutar mais. Falho muitas vezes.

 – É muito exuberante, muito bonita. Num grupo, foi sempre o centro das atenções?

BP – Em casa, sim. Por ser assim, nunca tive um grupo de amigos. Ou seja, dava-me com quase toda a gente. Sempre odiei essa história dos «grupos». O meu pai era exactamente igual, nunca teve nenhum grupo. E mesmo agora, cá, comecei por ter um grupo, que era o dos «Morangos», e são os meus amigos, mas tenho mais três ou quatro grupos de amigos. Agora, vou fazer anos, vou fazer uma festa e vou juntar toda a gente!

 – As suas relações de amizade baseiam-se em quê? De que tipo de assuntos é que falam?

 – Depende do grupo. Com os meus amigos dos «Morangos», falamos de tudo, vivemos tudo... Assuntos profissionais, projectos para fazer em comum. Sou incapaz de passar um dia sem falar com um deles. Quando estou feliz, ligo-lhes a todos; quando estou triste, também sou capaz de ligar. E sentimos a necessidade de partilhar tudo, sejam os ataques terroristas, seja «fui comprar umas calças».

 – Mas se tiver um grande segredo, uma coisa íntima e muito delicada, a quem é que a conta?

BP – (Silêncio)

SRD – A ninguém, não é?

BP – Pois. Há assuntos de que devo falar com a minha irmã ou a minha mãe, e há assuntos de que devo falar com eles (amigos), depende.

 

 


 

– Cresceu bem com o seu corpo?

BP – Sempre foi uma relação bastante pacífica. Mas quando era miúda, tinha mais auto-estima do que tenho agora. Deve ser por causa desta tensão e desta atenção toda. Somos todos tão observados, há tanta gente a querer pôr defeitos e a criticar, seja o trabalho, seja o corpo, que acabo por me sentir muito mais insegura.

 – O corpo é um instrumento de trabalho, no seu caso.

BP – Exactamente. Por isso é que me sinto mais insegura, porque sei que preciso dele e há muita gente a olhar para mim.

 – Vive obcecada com o que come, com o que faz, com a maneira como a roupa cai, como vai à rua?

BP – Obcecada, não. Mas preocupa-me. A minha mãe preocupa-se tanto que até me chateia a cabeça! A minha mãe tem muito a mania da dieta...

 – Ela também se ocupa da sua alimentação? Diz-lhe: «Precisas de fazer dieta!, não comas esse bolo!»?

BP – É, é. O meu pai também é um bocadinho assim. No trabalho, em estúdio ou em exteriores, há uns caterings todos malucos. Eu nem sequer toco na comida quente... Agora que me conheço melhor, tenho muito mais cuidado. Sei que nunca poderei comer tudo aquilo que me apetece, tenho tendência para inchar.

 – Fica enciumada se pensa numa menina mais magra e mais bonita que possa rivalizar consigo nas novelas?

BP – Não. A actual protagonista dos «Morangos» é bonita e tem um corpo fantástico. Eu dou-me com ela, trabalho no estúdio com ela. Lido muito bem com isso. Preocupo-me muito mais comigo do que com os outros ou a comparar-me com os outros.

 – Que coisas a fazem chorar?

BP – As coisas que me fazem chorar estão relacionadas com os sentimentos: o amor ou a amizade. Ou a desilusão. Fazermos um castelo na areia e depois desmoronar-se..., tanto os amigos como as paixões. As grandes desilusões são o pior. Ou as pequenas, até as pequeninas coisas me fazem explodir.

 – Como é que imagina a sua vida daqui a cinco anos, dez anos, vinte anos?

BP – É tão difícil imaginar... Obviamente que quero ter filhos e, quem sabe, casar, mas não é um objectivo de vida. Eu não quero. Eu quero o que acontecer. Aos trinta, aos quarenta, gostava de ter viajado, de ter montes de experiências diferentes, teatro, cinema, lá fora, cá dentro. Isto era o que eu gostava, mas daí a ser realidade vai um grande caminho.

 


 

4 comentários:
De Rt a 24 de Setembro de 2005 às 13:43
es linda!!!!!
De eu a 24 de Setembro de 2005 às 13:42
es linda!!!!!
De eu a 24 de Setembro de 2005 às 13:42
es linda!!!!!
De piper a 23 de Setembro de 2005 às 23:45
esta gaja era toda boa nos morangos, mas agora ta gorda, e arma-se mt.. n gosto dela, mas a novela ninguem como tu e fixe

Comentar post

.mais sobre mim


. ver perfil

. seguir perfil

. 14 seguidores

.pesquisar

.Dezembro 2007

Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab
1
2
3
4
5
6
7
8
9
10
11
12
13
14
16
17
18
19
20
21
22
23
24
25
26
27
28
29
30
31

.Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

.Últimas:

. Mariana Monteiro esteve n...

. Sílvia conduz gala a favo...

. David Carreira dá cartas ...

. Nuno Santos troca RTP pel...

. A Mariana Monteiro é lind...

. Britney Spears roubou isq...

. Striptease deixa marcas e...

. Russell Crowe e Nicole Ki...

. Eu e a Margarida temos um...

. Helena Isabel: Em forma

. Isabel Figueira convive c...

. Cantor desmente romance

. Rita Egídio está grávida

. Carol Castro ASSALTADA

. Modelos mal se falam

.arquivos

. Dezembro 2007

. Novembro 2007

. Outubro 2007

. Setembro 2007

. Agosto 2007

. Julho 2007

. Junho 2007

. Maio 2007

. Abril 2007

. Março 2007

. Janeiro 2007

. Dezembro 2006

. Novembro 2006

. Outubro 2006

. Abril 2006

. Março 2006

. Fevereiro 2006

. Janeiro 2006

. Dezembro 2005

. Novembro 2005

. Outubro 2005

. Setembro 2005

.tags

. a bela e o mestre(6)

. alexandra lencastre(29)

. alinne moraes(8)

. ana guiomar(5)

. angelico vieira(16)

. angelina jolie(20)

. antonio pedro cerdeira(13)

. band(8)

. barbara guimaraes(6)

. barbara norton de matos(5)

. belissima(9)

. benedita pereira(6)

. brad pitt(13)

. britney spears(8)

. canta por mim(4)

. carolina dieckmann(5)

. catarina furtado(20)

. caua reymond(9)

. cesar peixoto(11)

. christina aguilera(6)

. cinha jardim(5)

. claudia semedo(5)

. claudia vieira(28)

. cleo pires(7)

. cristiano ronaldo(29)

. dalila carmo(9)

. dança comigo(11)

. dani(7)

. daniela mercury(5)

. daniela ruah(13)

. danielle suzuki(6)

. deborah secco(7)

. deixa-me amar(9)

. diana chaves(22)

. diogo amaral(10)

. doce fugitiva(5)

. dzrt(6)

. elsa raposo(7)

. fala-me de amor(4)

. fernanda serrano(15)

. floribella(13)

. francisco adam(5)

. francisco penim(5)

. gato fedorento(7)

. globo(25)

. gloria pires(4)

. guilherme berenguer(4)

. helena isabel(4)

. henri castelli(4)

. herman josé(4)

. ilha dos amores(16)

. imperius(7)

. ines castel-branco(6)

. ines simoes(4)

. isabel figueira(34)

. ivete sangalo(4)

. jennifer lopez(5)

. jessica athaide(4)

. joana duarte(11)

. joana solnado(13)

. joão reis(9)

. jose fidalgo(6)

. juliana paes(6)

. luciana abreu(15)

. mafalda pinto(6)

. margarida vila nova(18)

. maria joão bastos(15)

. mariana monteiro(7)

. marisa cruz(8)

. melanie c(5)

. merche romero(46)

. morangos com açucar(51)

. nbp(5)

. operaçao triunfo(5)

. paixões proibidas(7)

. paula lobo antunes(6)

. paula neves(6)

. paulo pires(7)

. pedro granger(6)

. pedro miguel ramos(8)

. pedro teixeira(10)

. ricardo pereira(16)

. rita andrade(5)

. rita pereira(20)

. rodrigo menezes(6)

. rtp(43)

. rtp1(30)

. rtp2(5)

. ruy de carvalho(5)

. são josé correia(11)

. shakira(8)

. sic(71)

. silvia alberto(11)

. sofia alves(9)

. sonia araujo(6)

. soraia chaves(24)

. tempo de viver(9)

. tu e eu(8)

. tvi(126)

. vila faia(5)

. todas as tags

.Links:

blogs SAPO

.subscrever feeds