Quarta-feira, 17 de Outubro de 2007

O meu pai ainda sonha que eu seja arquitecto

Tiago Bettencourt não cresceu a sonhar com o palco nem desejou ser famoso. Fugiu da banda que lhe pôs as luzes da ribalta em cima, os Toranja, e agora anda por aí com os Mantha a debitar canções simples num ’Jardim’, o título do seu primeiro álbum a solo.

- Correio Êxito – É um criador solitário ou tem necessidade de andar no meio das pessoas para sentir as coisas?

- Tiago Bettencourt – Depende do espírito. Actualmente escrevo muito em casa, quando estou sozinho. Quando morava no Estoril ia muitas vezes para a praia e ficava a olhar para o mar. Houve uma fase em que andava muito com o caderninho no bolso. Agora, sobretudo quando estou acompanhado, anoto as coisas no telemóvel. Há alturas em que me lembro de uma frase e penso “isto é altamente profundo” e escrevo, embora sem ter necessariamente o intuito de fazer daquilo uma canção. Também escrevo muito depois de ir aos fados.

- Fado puro e duro, das tascas?

- Adoro fado. Ouço-o desde sempre e vou muito a casas de fado. Aliás, o fado teve o papel mais importante no facto de cantar em português e até na maneira como escrevo, na parte poética. Não sou é grande apreciador do fado castiço, daquele bairrista, a não ser que seja feito com bom gosto. Sou muito crítico em relação ao género. Adoro ir a boas casas de fado e ouvi-lo até às cinco da manhã. É das melhores coisas que me podem acontecer.

- E depois, chega a casa, o Sol está a nascer e desata a escrever?

- Pode não acontecer necessariamente assim mas inspira-me.

- É um compositor compulsivo?

- Nada. Há quem se preocupe em escrever duas e três canções por dia mas eu nunca faço contas dessas à vida. Aliás, não tendo datas para cumprir, simplesmente não escrevo. Não faço nada a não ser que sinta pressão. Posso ficar seis meses sem escrever uma linha que não me afecta absolutamente nada.

- Então como começou a escrever?

- Foi tarde. Lá para os 21, 22 anos, estava a meio do curso. Talvez porque tive um ano muito inspirador a nível das amizades, de professores, experiências que vivi nessa altura...

- Portanto, não era um daqueles putos que crescem com o sonho de ter uma banda...

- Nada. O meu sonho era ser arquitecto. Aliás, o meu pai ainda quer que eu venha a sê-lo. Celebrei o meu aniversário há pouco tempo e ele disse logo: “Veja lá se revê as prioridades”. Naquele tom de quem diz “veja lá se deixa as brincadeiras e vai ser arquitecto”.

- Como é que os seus pais reagiram à sua opção pela música?

- Pela educação que tive, seguir uma carreira musical era uma coisa quase absurda. Na verdade, sempre quis ser pintor, seguir Belas-Artes. Não o fiz porque tive medo de não conseguir sobreviver financeiramente só com a pintura.

- O que fazem os seus pais?

- A minha mãe é professora. O meu pai tirou Direito mas nunca exerceu. É director de milhões de coisas.

- Então, o meio em que cresceu não impulsionou em nada a sua própria carreira...

- Sim e não. Não havia essa motivação para seguir uma carreira artística mas, por outro lado, cresci com muita música à minha volta. Música de qualidade, que me marcou e ensinou. Mas, apesar de desejarem que eu seja arquitecto, acho que os meus pais têm orgulho em mim. Compram as revistas todas onde sai qualquer coisa a meu respeito, mesmo que seja mentira.

- E julga mesmo que um dia voltará à arquitectura?

- Talvez. Agora, não posso deixar de aproveitar este momento em que me deixam gravar coisas, deixam fazer aquilo de que eu gosto.

- E aos Toranja?

- Os Toranja aconteceram muito rapidamente. Talvez depressa de mais. Ainda não tínhamos baixista nem guitarrista quando ganhámos o concurso. Depois, tudo o resto veio de uma maneira estupidamente rápida, que me apanhou completamente desprevenido. A banda voltará se todos sentirmos essa vontade.

- Mas pensa que há hipóteses de regressarem ao activo?

- Neste momento, sinceramente, não.

- Sentiu-se demasiado exposto com o sucesso dos Toranja?

- Não. Porque sou arrogante. Separo muito aquilo que sou e a parte em que me exponho. Tento que não saibam o que se passa comigo e, sobretudo, irrita-me quando as pessoas pensam que estou exposto quando na realidade não estou. Irrita-me as revistas que escrevem coisas ridículas sobre as pessoas. Do género verem-me “a jantar aqui e ali, não sei com quem”. Ah! E depois há sempre aquela “fonte próxima” que confirma qualquer coisa e é sempre muito mentirosa.

- Porque diz então que você é arrogante?

- Porque sou mesmo. Às vezes antipático. Mas isso é bom: afasta as pessoas que estão a ser demasiado invasivas.

- É um mecanismo de defesa, portanto...

- Mas já mudei imenso. No início era bem mais introvertido. Depois houve várias pessoas que me ensinaram que tinha que ser simpático para as pessoas porque, a longo prazo, é vantajoso. Agora, quando recebo e-mails a dizerem ‘raios e coriscos’ da minha música, respondo sempre de forma muito simpática. E depois as pessoas acabam por mandar um e-mail a pedir desculpa. Logo, a simpatia é como o crime, compensa.

- Já superou a ‘acusação’ de que os Toranja imitavam o Jorge Palma?

- Se ligasse às críticas tinha desistido logo no primeiro álbum. Há gente muito triste. Também tenho a noção de que quem se atira aos leões deve ir preparado para levar algumas mordidelas. Sempre respondi às críticas e, concretamente, a essa questão, mas depois comecei a cansar-me porque era um assunto demasiado recorrente. Por sorte, deixam-me fazer música. Mas não tenho pressa. Não estou aqui para ser famoso. Só quero deixar algo que perdure no tempo, que valha a pena. E não serão uns criticozinhos quaisquer que mudam esse desejo. Perceberam a influência de Jorge Palma, ainda bem! Mas não descortinaram a influência do fado, do Sérgio Godinho, do Pedro Abrunhosa e outros milhares de gajos. Isso era ir para além do óbvio, o que raramente acontece.

PERFIL

Depois do sucesso alcançado como vocalista dos Toranja, trilha agora um caminho a solo apesar de ter como companheiros de viagem os Mantha, ou seja, os músicos Tiago Maia e João Lencastre. O álbum de estreia chama-se ‘Jardim’ e contou com a participação de Sara Tavares em ‘Canção Simples’.

Algum do novo material resulta das sessões de escrita efectuadas ao longo da última digressão com os Toranja. Outros temas surgiram depois, aproveitando a paragem que o grupo fez na sua actividade. As gravações decorreram na cidade canadiana de Montréal com o produtor Howard Bilerman, que trabalhou com os Arcade Fire no álbum ‘Funeral’.

Estreou-se na música em 2003 com os Toranja, que se estrearam com o hino ‘Toma a Tua Bola de Futebol’. Seguiram-se então os álbuns ‘Esquissos’ e ‘Segundo’, até que a banda anunciou uma pausa, no ano passado.

CM

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