Segunda-feira, 19 de Novembro de 2007

Sou bagunceira, falo alto e digo palavrões

No Brasil ninguém esquece a sua mãe, Elis Regina, mas Maria Rita há muito que conquistou um espaço só seu. Com disco novo, a cantora está de regresso a Portugal para uma minidigressão com três datas mar-cadas. Ao Correio Êxito, Maria aceitou abrir o livro da sua vida, numa conversa sobre a infância, os pais, a fama, os boatos, os amores, os fãs e o filho.

'A minha grande influência musical foi mais o meu pai', afirma Maria Rita

'A minha grande influência musical foi mais o meu pai', afirma Maria Rita

Correio Êxito – Depois de dois álbuns mais jazz, surge com um disco de samba. Porquê esta mudança radical?

- Maria Rita – É radical mas não é tão radical quanto isso, até porque eu ouço samba desde a adolescência. Depois, este disco tem também muito piano, baixo acústico e bateria. Prefiro ver este trabalho como um passo em frente na minha carreira.

- É então despropositado dizer que a Maria Rita se tornou sambista?

- Eu não sou sambista nem tenho pretensão a dizer que sou. O que eu sou é apaixonada pelo samba. Acho que este disco também surge de uma necessidade da minha parte de me livrar desta coisa que se criou aqui no Brasil à minha volta de diva inalcançável. Essa tal de diva quase virou o meu alter-ego.

- Baptizou este disco com o título de ‘Samba Meu’. O que é que o seu samba tem de diferente?

- A grande diferença é ser um samba cantado por quem não é sambista. O que as pessoas ouvem neste disco é uma cantora de MPB com fortes influências de jazz a cantar samba. O título deste disco não pretende passar qualquer ideia de que revolucionei o que quer que seja.

- Logo no primeiro tema do disco canta: “O meu samba vai curar a dor que existe!” Quais são as dores que mais a afligem?

- A solidão e a falta de curiosidade para com a vida.

- São dores que já sentiu?

- Solidão claro que sim, a curiosidade em relação à vida não, até porque eu sou uma pessoa muito inquieta e essa inquietação sempre me fez muito bem. Eu ando sempre a correr atrás de alguma coisa.

- O seu filho António, de apenas três anos, canta também neste disco. É verdade que teve receio de divulgar a participação dele?

- Eu sou muito cuidadosa com a privacidade do meu filho. A artista aqui sou eu e ele não tem absolutamente nada a ver com isso. Por isso eu estive num dilema muito grande se o punha a cantar no disco, até porque a gravação dele foi uma surpresa para mim. Ele foi gravado enquanto brincava. Gostei muito da surpresa, mas fiquei muito receosa porque nunca tinha exposto o António antes.

- Canta ainda que “um amor só é bom quando é para dois (...) agora eu não vou mais me enganar/ não quero mais sofrer”. Tem sofrido muito por amor?

- Sim, já sofri muito.

- Recentemente?

- Recentemente acho que não, mas já sofri muito, sim. Eu sou uma pessoa muito tímida e comecei a namorar muito tarde, e talvez por isso também tenha sofrido mais. Já tive os meus momentos em que jurei a mim mesma nunca mais amar de novo.

- Tem sentido mais que ama ou que é amada?

- Que amo...

- Diz que a imagem de diva não combina consigo. Porquê?

- Porque isso não tem a ver comigo. Eu sou de falar com toda a gente na rua, sou bagunceira, brincalhona, falo alto, digo palavrões, ando de chinelos a fazer compras, não uso jóias, e por isso essa história da diva não combina comigo. A minha vida é muito simples.

- E a fama combina bem consigo?

- Eu nasci para cantar e aprendi a aceitar o que vem com isso, o ser reconhecida na rua, o quererem saber com quem é que eu estou a namorar ou como é a cara do meu filho. Quando o António nasceu tive a imprensa plantada à porta da maternidade. Mas enfim, aprendi a lidar com isso, até porque nasci para botar a boca no mundo. O resto vem porque tem que ser.

- E lida bem com os boatos?

- Já tive mais dificuldade em lidar.

- Foi acusada da separação da Deborah Secco e do Marcelo Falcão. Isso magoou-a?

- Isso foi muito desrespeitoso, porque é um assunto que envolveu a minha família. Essa coisa de uma pessoa inconsequente, destruidora de lares, não tem a ver comigo nem com a minha educação. Eu sou uma grande amiga do Marcelo e sou madrinha de casamento do irmão dele. Esse boato foi completamente infundado e ofendeu-me muito.

- Qual foi a pior falsidade que já leu sobre si?

- Houve um jornalista que me acusou, a mim e à editora, de termos subornado os ‘media’ para falarem bem do meu segundo disco.

- Maricota é um dos seus apelidos. Quais são os outros?

- Onde é que você ouviu isso?

- Li algures...

- Nossa! Só as pessoas que trabalham comigo é que me chamam Maricota. Estou surpreendida! Mas não tenho mais nenhum apelido. Ou me chamam Maria, ou Maria Rita.

- Recebe sempre os seus fãs depois dos espectáculos. Teve algum episódio bizarro?

- Houve um fã que durante um espectáculo me pediu em casamento à frente do pai do meu filho. Mas também já aconteceram coisas desagradáveis, como fãs que querem ir ter comigo ao camarim e que depois passam mal.

- A Maria Rita não é o único descendente de Elis Regina. É também irmã dos músicos João Marcelo e Pedro Camargo. Acredita que esta coisa da música pode ser hereditária?

- Caramba! Eu não sei! Acho que não, porque quer a minha mãe, quer o meu pai não são filhos de músicos. Por outro lado, eu acredito que a música possa ser uma coisa intra-uterina. Acredito muito naquela coisa de que a música que a mãe ouve na gravidez pode influenciar o filho.

- Isso quer dizer que a possibilidade de o seu filho seguir a carreira musical é grande?

- Ele gosta muito de música, mas se ele quiser ser veterinário para mim também está óptimo. Ele só não pode ser é nada.

- Toda a gente fala da Elis Regina mas poucos falam do seu pai, César Camargo Mariano, que também é um grande músico. Isso deixa-a triste?

- Não. Eu entendo a saudade das pessoas em relação à minha mãe. O meu pai ainda está vivo, e está aí a fazer coisas. E depois, como ele é compositor e não cantor, naturalmente não tem a mesma visibilidade que a minha mãe teve. Apesar de ser um dos maiores compositores e produtores do Brasil, o meu pai não está na frente do palco. Já a minha mãe, além de ser a cantora que todos conhecem, morreu no auge da carreira e numa idade muito jovem. Daí a saudade. Da parte que me toca, eu só sinto necessidade de explicar que a minha maior influência musical não é a minha mãe mas sim o meu pai. Quando a minha mãe morreu eu tinha quatro anos. Por isso eu não tenho como ter sido influenciada por ela. O meu relacionamento com os músicos, a minha ética ou o profissionalismo, aprendi com o meu pai.

- Começou cedo nos palcos. O que recorda da sua meninice?

- Tive uma infância muito normal, apesar de andar sempre muito sozinha. Mas lembro-me de brincar muito na rua, com os meus irmãos, à bola. Ao domingo comíamos piza e ficávamos a tarde toda a assistir ao programa do ‘Fantástico’.

- Recorda a primeira vez em que cantou?

- Foi a fazer coros para o meu irmão. O Pedro tinha uma banda e um dia chamou-me para cantar. Tinha eu uns 12 ou 13 anos.

- Foi depois dessa idade que foi para os Estados Unidos?

- Pouco depois. Fui aos 16 anos.

- Foi por ter saído tão cedo do Brasil que gravou tarde o primeiro disco (aos 24 anos)?

- Gravei tarde por causa dessa coisa da comparação com a minha mãe. Quando eu cantava as pessoas emocionavam-se muito e eu não percebia se era porque se lembravam da minha mãe ou porque gostavam de me ouvir cantar.

- E a passagem pelos EUA ajudou a clarificar isso?

- Depois de oito anos lá e de muitas conquistas pessoais com a certeza de que eram só minhas, consegui ultrapassar essa coisa. No anonimato encontrei-me. Quando percebi que a minha música era o meu lugar no Mundo a coisa ficou muito mais fácil.

- Ainda canta descalça?

- Canto descalça sempre (risos).

- E dá jeito mesmo com um disco de samba?

- Pois, é meio-chato (risos)...

- O que vai trazer até nós nesta minidigressão por Portugal?

- Olha, curiosamente, não é um espectáculo de samba, e ainda não é sobre este novo disco. É um espectáculo acústico, com voz, violão e percussão, e é um espectáculo que eu faço só em ocasiões especiais. São concertos muito sóbrios, sem cenários e grandes elementos cénicos.

'PENSO NA MINHA MÃE COM CURIOSIDADE'

- Quais são as memórias mais vivas que guarda da sua mãe?

- Na verdade, guardo muito poucas memórias, e é por isso que eu prefiro que sejam só minhas. Um dia hei-de passá-las para o meu filho. Os meus quatro anos de vida que passei com a minha mãe foram muito expostos na imprensa. Tenho mais fotos com a minha mãe por causa da imprensa do que tiradas em família, em casa.

- Pensa nela muitas vezes?

- Penso nela com muita saudade e curiosidade, porque é uma pessoa que eu conheci muito pouco.

- O que acha que ela estaria a pensar de tudo o que se está a passar consigo?

- Não sei. É difícil responder a isso, mas uma vez li uma entrevista em que ela dizia que gostava que eu viesse a ser uma pessoa muito ‘leve’ - era a expressão que ela usava - e que viesse a ser uma pessoa que tivesse a capacidade de sorrir sempre. Por isso, acredito que se ela me visse feliz e realizada com a profissão que eu tenho hoje estivesse feliz também. Mas isto é pensar um pouco no vazio. Na verdade, não sei bem que sonhos é que ela tinha para mim.

- Se pudesse encontrar-se com ela o que gostaria de lhe dizer?

- Eu acho que não lhe ia dizer nada. Acho mesmo que ia perguntar tudo (risos).

PERFIL

Filha da cantora Elis Regina e do compositor César Camargo Mariano, nasceu a 9 de Setembro de 1977 na cidade de São Paulo (Brasil). Antes de se tornar cantora profissional com apenas 24 anos, Maria Rita fez um estágio numa revista para adolescentes, tendo estudado marketing e estudos latino-americanos na Universidade de Nova Iorque, nos EUA, para onde se mudou com apenas 16 anos.

A ideia era encontrar o seu caminho e afastar-se do peso de ser “filha de uma grande cantora”, como diz. Gravou o primeiro álbum, homónimo, em 2003, tendo conseguido atingir a marca de um milhão de discos vendidos (dupla platina no Brasil). Seguiram-se os álbuns ‘Segundo’, de 2005, e o mais recente, ‘Samba Meu’, editado já neste ano.

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