Terça-feira, 28 de Fevereiro de 2006

"Adoro beijar aquela boca linda do Cauã", diz Vera Holtz

Há tempos Vera Holtz não se divertia tanto numa personagem quanto tem acontecido com Ornela. A peruíssima socialite de Belíssima, da TV Globo, tem proporcionado diversos prazeres à atriz. "Adoro beijar aquela boca linda do Cauã Reymond, empolga-se a atriz, se referindo ao jovem ator que vive Mateus, o garoto de programa que é alvo das investidas da coroa na trama de Silvio de Abreu. Vera assume que também adora ser paparicada com manutenções do longo aplique de madeixas louras, maquiagem, figurino e diversos acessórios que têm virado uma espécie de ¿parque de diversões¿ para a atriz de 52 anos. "Adoro ela poder gastar dinheiro sem culpa, ter aquela Mercedes conversível... Mas, no final do dia, fico exausta de ficar com a barriga para dentro e empinada com aquela cinta", pondera.

Mas nem tudo foram flores na carreira de atriz. Ao mesmo tempo que Vera saboreia as futilidades de Ornela, a atriz faz uma retrospectiva de como tudo começou, há mais de três décadas, em Tatuí, cidade do interior de São Paulo, onde nasceu. Desde a adolescência começou a trabalhar e deu duro como locutora de rádio, decorou carros alegóricos para o tímido desfile de Carnaval da sua cidade, até conseguir ir para São Paulo em 1974, para fazer faculdade de Arte Dramática. Logo depois se mudou para o Rio e começou a fazer teatro até estrear na tevê muito depois, já em 1989, como a divertida Fanny de Que Rei Sou Eu?, que tinha um forte apelo cômico. "Trabalhos tragicômicos têm mais o meu perfil, é a leitura que eu tenho da vida. Assim tenho uma região maior de sentimentos a explorar", analisa.

E seus personagens, independentemente da carga cômica ou dramática, viram uma espécie de coleção para a atriz. Até pouco tempo atrás, Vera tinha o hábito de desenhar cada um deles em papel, com um tamanho bem pequeno, que era uma maneira dela conseguir visualizá-los de uma forma onde poderia ter uma espécie de controle sobre eles. "Eles ficam na minha vida como um parque de estátuas, como esculturas do Aleijadinho. Fico mais múltipla e solta para dar vida a cada um", avalia a atriz.

Para a Ornela, soube que você "criou" o verbo Ornelar. O que significa?
Vera Holtz - (risos). Encontrei o Silvio Abreu e a Denise Saraceni no São Paulo Fashion Week do ano passado, quando eles me chamaram para o papel, mas eu não tinha noção do que poderia ser a Ornela. Essa coisa do cabelo longo louro, esse imaginário feminino. Não tinha idéia. Mas ela é uma animação, adoro Ornelar! Primeiro que os homens mais velhos se divertem e brincam comigo. Dizem que estou espalhando o Mal, que é um péssimo exemplo para as mulheres e que estou acabando com a praia deles. Você vê? Outro dia abracei um senhor na rua que veio me xingar. Mas é preciso ter um "background" para fazer um papel desses. A mulherada me fala entre os dentes: "você está pegando o Cauã Reymond..." (risos). É tudo entre os dentes, secreto, com uma pontinha de inveja. Os gays dizem que estou inflacionando o mercado, que estou pagando muito caro para o michê, que ele não merece. Então é muito divertido. Mas eu não fico expondo a Ornela na rua, a não ser quando estou gravando, que saio montada. Raramente ando maquiada. O cabelo sempre está preso.

Onde você buscou referências para essa composição?
VH - Gosto de me aprofundar na leitura do texto. Para mim é mais fácil. Fui para São Paulo observar um pouco as mulheres da alta sociedade. Acho que ela é uma homenagem à Eliana Tranchesi (dona da grife Daslu). Mas isso foi uma referência antes das acusações de sonegação e outras que ela tem sido acusada (risos). Depois disso, meu inconsciente deu pane e comecei a rir. Na realidade, a idéia original é de uma mulher que se sofistica em São Paulo através dessas grifes internacionais. Ela não trabalha, é uma dondoca. Lá, grande parte das mulheres estão sempre impecáveis, com os cabelos arrumados, sapato perfeito, carro lustrado... São alegres e têm uma vida muito boa. O lazer de São Paulo é de primeira. O mundo deles é cosmopolita. Ela é uma mulher educada, filha de italianos. Mas acredito que ela não seja quatrocentona...

Ela é o oposto da sua última personagem, a Generosa, a mulher do mato mal humorada de Cabocla. Como foi essa transição da caboclona para uma perua?
VH - (risos). Eu precisava fazer a Generosa. Depois da Santana (de Mulheres Apaixonadas), não tinha como fazer uma coisa explosiva e nem estava preparada para isso. Precisava passar pela carranca dessa mulher do mato, que tem um registro emocional pequeno, que é muito arcaica. A Generosa é a negação do afeto, do amor, da liberdade. Na Ornela tudo é divertido, mas demoro uma hora e meia para fazer cabelo e maquiagem. Para gravar Cabocla eu chegava 10 minutos antes, botava o chinelão de couro, soltava o barrigão, ficava assim (fica corcunda). Com a Ornela, tenho de ficar com as cabeleireiras correndo atrás de mim, coloco umas cintas por baixo da roupa para fazer cinturinha. Ela é gorda, mas meio violãozinho. Tenho de trabalhar sustentada, empinada com o cinturão e barriga para dentro, cheia de jóias. Fico exausta no final do dia.

O temperamento e o astral das personagens influenciam o seu comportamento, ocorre alguma simbiose?
VH - Eu achava que não, mas hoje acredito que sim. No caso da Ornela, por exemplo, que tem uma grande curiosidade em viver, realmente me empresta um astral positivo. A Santana foi uma personagem que me entristeceu muito. Até achava que estava doente. Parece que ela fechou meus chacras. Minha parte de criatividade e sexualidade foi travada na época porque eu mergulhei naquele universo. Não dava para fazer um trabalho de brincadeira. Agora queria mesmo fazer um papel de mulher rica e sem culpa. A Ornela é uma borboleta de mel, gostosa, adocicada e leve.

Ela era o contraponto da Bia Falcão. Como foi perder a melhor amiga dela?
VH - Eu fiquei muito triste, me apeguei à Fernanda (choraminga).... Gostei dela, estou triste. Desculpe, que eu falo e choro mesmo... A Fernanda é especial. Foi terrível para a Ornela. Nunca soube como a Ornela poderia ser amiga daquela mulher. A Ornela tem uns 50 e poucos anos e a Bia era uns 20 anos mais velha. Elas pareciam aquela dupla, o Pink e o Cérebro (risos). Eu sou o Pink. Não tem casamentos em que a mulher não sabe nada do que o marido faz? Sou do interior e acompanhei processos afetivos que a mulher era de uma alienação absoluta. A Ornela era o contraponto da Bia, não julgava nada. Fiquei tristíssima, arrasada. A sorte é que ela é uma mulher esperta. Gosta de homens bonitos e paga para isso.

Como você analisa essa abordagem da prostituição masculina?
VH - Confesso que nunca nenhuma mulher chegou para mim eu disse que pagava um garoto. Mas elas falam que se pudessem pagar um menino daqueles elas o teriam. Falam isso do lado do marido. O Cauã é muito dedicado. Gosta do que faz. Brincamos muito com isso e sempre tiramos fotos para eu mostrar para o Fernando (namorado da atriz). É um jogo para provocar. Combinamos que nas cenas de sexo não faríamos nada com fissura, com cara de tesão. Decidimos fazer como se eu tivesse a idade dele e ele a minha. Um encontro amoroso de duas pessoas que gostam de transar, mas nada de tara ou perversão.

Esse lado sexual tem alguma semelhança com a Marta, sua personagem de Presença de Anita, que seduzia o empregado?
VH - Aquela era pervertida. A Marta mandava, tinha uma coisa de poder com o empregado, era a sinhazinha que tomava conta do pai, da fazenda. Ela gostava de pegar o negro, de achar que tinha poder como branca. Não é igual ao desejo da Ornela, que é mais livre e contemporâneo. Aquilo mexeu com a mulherada. Foi quase uma cebola, tinha camadas e camadas. As mulheres lentamente se revelavam com um desejo sexual secreto de transar com um negro. Teve muita discussão de rua.

O que te dá mais prazer na Ornela?
VH - Eu gosto dessa liberdade de ir e vir que ela tem e esse saber lidar com o dinheiro sem culpa. No Brasil as pessoas têm muita culpa, ela é generosa. O que o dinheiro paga para ela não é caro. Adoro ter aquela Mercedes conversível (risos). Gosto desses cuidados com ela, com o figurino, desses paparicos de roupa e cabelo. Acho ótimo trabalhar com o Cauã, beijar aquela boca linda... O resto eu trabalho muito, tenho de decorar muito texto. O elenco também é maravilhoso. Trabalhei com a Denise (Saraceni) em A Muralha, quando fiz a Mãe Cândida. Fomos muito felizes naquela minissérie. Esse reencontro com a Denise é muito familiar para mim.

Quais dos seus trabalhos que você destacaria como os mais marcantes na tevê?
VH - Acho que minha primeira personagem na tevê, em Que Rei Sou Eu?, a Fanny. Aquela turma toda marcou com uma linguagem nova, um belíssimo texto, uma sátira à sociedade brasileira. O cenário e o figurino eram deslumbrantes, nossa! Jorge Fernando! Tudo era novo, tinha o frescor da inovação. Não tem como não lembrar das perucas, a transformação para entrar em cena. Aquele universo todo era encantador. Também gostei muito de Vamp, daquele mundo lúdico. Gosto de novelas realistas também, mas essas são as mais divertidas, tem efeitos especiais, adoro essas brincadeiras. Gosto desse jogo.

Fonte: Terra.com.br

publicado por tv às 13:01
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